sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Escrever, pensar e viver

E sete anos se passaram ... (desde a última postagem)

Hoje, fazendo um treino de caligrafia porque decidi mudar minha assinatura, comecei a escrever. Escrever de verdade, não num teclado, mas com papel e caneta como se fazia no século passado, e eis que surgiram novas insanidades que resolvi compartilhar com quem esteja por aí de bobeira sem ter nada mais importante para fazer. É lógico que tive que "datilografar" e publicar apenas o conteúdo, pois a forma ainda está muito canhestra.

Primeiro ensaio (uma lauda):
"Teste de mudança de caligrafia para fixação de escrita caligrafia extremamente instável sujeita a muitas variações no curso da escrita deixando entrever e perceber muita ansiedade no ato de escrever, sugiro tentar escrever com mais calma e pensar durante o ato tentando coordenar o movimento das mãos e o pensamento enquanto o fluxo fluxo fluxo fluxo do texto fluxo do texto fluxo fluxo fluxo fluxo do texto fluxo fluxo fluxo do texto vai aos poucos se harmonizando e encontrando seu caminho."
(foi muito difícil escrever com "fluidez" as duas palavras com "x"!!! Quase não fluiu)

Segundo ensaio (uma lauda):
"Navegar não é preciso, escrever é preciso. É preciso enquanto é necessário, não necessariamente enquanto exatidão, precisão. A escrita não é precisa, mas é necessária enquanto ato de manifestação do ser, do pensamento. Do pensamento do ser. O ser não é o que pensa e nem pensa o que é. Se escreve sem pensar porque não pensa o que escreve e nem escreve enquanto pensa, e nem pensa enquanto escreve, mas escreve a vida que pensa. Não se vive o pensamento e nem se pensa na vida. A vida é para ser vivida, o pensamento pensado e a escrita, escrita. Penso que preciso escrever porque não quero escrever e não gosto de escrever. Penso que quero viver e não quero pensar, mas não consigo para de pensar e não consigo viver."

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Repúdio

MANIFESTO MEU TOTAL APOIO E CONCORDÂNCIA ao texto produzido por Tati postado também no portal HUMANOMAR (http://www.humanomar.com.br/) que passo a transcrever a fim de dar a maior visibilidade possível à questão. Por oportuno, sugiro que visitem o referido portal, conheçam, divulguem e participem.


"Queremos aproveitar o espaço do Portal Humano Mar para publicizar o texto de repúdio à nota publicada pela colunista Jussara Leite no Jornal O Debate, periódico de grande circulação em Rio das Ostras, cujo conteúdo discriminatório e preconceituoso referente ao trato à população em situação de rua, abalou as opiniões e está mobilizando um grupo de pessoas, entre professores, estudantes e profissionais de diversas áreas, que pretendem responder à sociedade através de ações que questionem o papel da imprensa local como veículo formador de opinião.Dentre estas ações, a primeira é a tentativa de ver publicado no referido jornal o texto em resposta à nota, construído coletivamente e que pode ser assinado por todos que compartilharem da opinião. Basta enviar seus dados (nome completo, profissão/vínculo institucional/ município) para tatipontocom@hotmail.com."

Segue abaixo a referida nota e, na seqüência, o texto de repúdio:

NOTA:“INCIDENTE GRAVE: Só grave não! Gravíssimo. O assassinato do morador de rua foi horrível! Eu não os quero aqui, mas daí a querer a morte dos coitados, ainda mais da maneira que foi. Credo! Já era de se esperar que mais dia menos dia fosse acontecer, pois eles se alimentam de álcool, ficam juntos a maior parte do tempo, já estavam mantendo relações sexuais na areias da praia do Centro porque já era visto e notório a presença de mendigas também. Enfim, os locais por eles freqüentados estavam insuportáveis não só pelo aspecto dos mesmos, como pelo mal cheiro e pelos abusos que os transeuntes eram obrigados a aturar. Por hora eles sumiram, mas se nada for feito para impedir o regresso, logos eles estarão de volta. Não permitam que isso aconteça! Aproveitem a oportunidade do sumiço! Tem muita cidade e lugarejos para eles irem baixar o santo deles fora de Rio das Ostras. Esta cidade é limpa e tem que permanecer assim! O que me preocupa são os cachorros que os acompanhavam. O que será feito deles? Ah, as ciganas já chegaram pegajosas nos segurando pelo braço com toda a intimidade. Realmente não dá pra ser feliz desse jeito! São mendigos, são ciganos, travestis dazendo vida, traficantes, ladrões e assaltantes, tarados, realmente a coisa está ficando difícil. A coisa está feia!” (Jussara Leite)

TEXTO-REPÚDIO:PÚBLICO & PRIVADO: Opinião, violência e discriminação.As relações sociais contemporâneas têm sido marcadas por várias manifestações de violência. Intolerância, preconceito e discriminação estão presentes nas várias esferas da vida em sociedade: no futebol, nas relações de trabalho, nas universidades, nos diferentes espaços públicos e privados. Parte dessa violência tem sido alimentada pela visão distorcida e preconceituosa de que a sociedade é dividida entre cidadãos de bem e a escória. A escória pode ser representada pelo torcedor do time adversário, pelas pessoas em situação de rua, pelos profissionais do sexo, pelos pobres, pelos negros, pelos desempregados, pelos homossexuais, pelos usuários de drogas ou qualquer outro segmento social que represente uma “ameaça” a “harmonia e a paz social”. Os que se consideram cidadãos de bem se sentem autorizados a manifestar suas opiniões odiosas contra os diferentes segmentos sociais, exigindo solução, em muitos casos eliminação, para tudo o que avaliam repugnante aos olhos de um grupo que se concebe como uma casta superior com autoridade para falar em nome da “sociedade” e dos “direitos”.

A nota publicada por Jussara Leite na edição do Jornal O Debate de 04 a 10 de dezembro de 2009 é emblemática neste sentido. Lamentavelmente a opinião manifestada nesta nota não expressa apenas uma opinião particular, mas a de muitos que “assistem” a vida pelas lentes do preconceito e do privilégio. Toda opinião pública – assim a consideramos por ter sido veiculada em um jornal local – é legítima se as referências e os valores que defende se colocam nos limites da democracia e dos direitos humanos. No entanto, o modo como a tragédia envolvendo a morte de uma pessoa em situação de rua foi abordada por Jussara Leite e suas opiniões sobre a oportunidade aberta para “nos livrarmos dessas pessoas”, seu sentimento de solidariedade exclusiva aos cães que acompanhavam essas pessoas, sua clara fobia às condições de higiene e ao comportamento das pessoas em situação de rua, seu moralismo dirigido aos profissionais do sexo, merecem questionamento e repúdio.

Primeiro por ignorar que as pessoas que vivem em situação de rua representam uma incapacidade de nossa sociedade de oferecer políticas sociais públicas capazes de assegurar o sistema, universal, de Seguridade Social, inscrito em nossa Constituição Federal. Segundo porque concebe o espaço público como espaço privado, considerando que pode, em nome dos cidadãos de bem, definir quem merece ou pode transitar e se apropriar dele, ignorando princípios Constitucionais como o direito de ir e vir e a validade da cidadania em todo território nacional. Terceiro porque sua avaliação sobre as situações apresentadas - que envolvem pessoas em situação de rua, profissionais do sexo e ciganos – e seu apelo por soluções imediatas e autoritárias (higienização), ao desconsiderar as reais determinações sociais que contribuem para essas manifestações das desigualdades sociais e do abandono por parte do poder público, contribuem para alimentar e legitimar práticas de extermínio cada vez mais consolidadas em nossa sociedade autoritária e conservadora, como assassinatos de moradores de rua, de profissionais do sexo, de homossexuais, de jovens pobres da periferia, como confirma a ação das milícias no Rio de Janeiro, da polícia e de vários grupos de extermínio em todo território nacional.

Do mesmo modo que tais avaliações reforçam a ideia enganosa de que a ameaça, a violência, a miséria ou o abandono das ruas são atributos ou situações vivenciadas apenas pelos “de fora”, pelos “estrangeiros”, obscurecendo o fato de que os impactos sociais do modelo de “crescimento e desenvolvimento” adotado pelo município colocam os próprios rio ostrenses em situação de vulnerabilidade social. Não é a presença de pessoas em situação de rua, de profissionais do sexo, de ciganos que impedem nossa felicidade e a possibilidade de vivermos numa cidade limpa e segura, mas o moralismo e o preconceito odiosos que espiam das janelas protegidas por grades e só tem olhos para os diferentes, para os que não tem voz e poder econômico e político, atribuindo-lhes individualmente responsabilidade por situações geradas socialmente. O mesmo moralismo e preoconceito odiosos que fecham suas janelas gradeadas e não querem ver a violência do desemprego, da corrupção, do coronelismo, do clientelismo, do abandono por parte do poder público nas áreas de sua responsabilidade (Saúde, Educação, Assistência, Emprego, Moradia, Saneamento Básico).

A cidadania e a democracia exigem, não a eliminação das pessoas, mas a eliminação de todas as formas de violência (como as citadas acima), inclusive a violência do preconceito e da discriminação, que molda uma “opinião pública” conivente com o extermínio daqueles que são considerados a "escória social".

por Tati Tavares em 09.12.2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

IV FESTIVAL DE TRAVESSIAS DA NATAÇÃO NO MAR - 20/11/2009

Foi Lindo!!!
Fiz estas duas paródias que falam um pouco da nossa realidade no dia-a-dia de Natação no Mar como forma de homenagear a TODOS que integram essa maravilhosa e competente equipe de profissionais.
Por certo todos os alunos que tiveram que passar ou estão passando pela experiência de superar seus medos já viveram momentos como estes com o(a) seu(sua) respectivo(a) "TIO" ou "TIA".
No meu caso particular faço a homenagem a TODOS na pessoa da Tia Marina.
E com certeza todos os nossos professores de alguma forma respondem as nossas "manhas" com a resposta TENTE OUTRA VEZ.

Marina (Dorival Caymmi)

PARÓDIA DE VALCIR GONÇALVES
NATAÇÃO NO MAR, Rio das Ostras, Nov/2009.

Marina, morena
Marina, você M'ENGANOU
marina, você FOI PRO FUNDO AONDE EU NÃO VOU
NÃO ENTRO “NEM MORTA” eu NÃO gosto
LÁ EU NÃO VOU
marina você É TÃO MALVADA O QUE É QUE TE DEU?
me APAVOREI ME ASSUSTEI
Já não posso NADAR
E quando me ASSUSTO Marina não sei RESPIRAR
Eu já ME AFOGUEI tantaS VEZES
Você não PODE IMAGINAR
Desculpe, Marina morena
EU NÃO VOU NADAR
NADAR com você
NADAR com você


TENTE OUTRA VEZ (Raul Seixas)

 

PARÓDIA DE VALCIR GONÇALVES
NATAÇÃO NO MAR, Rio das Ostras, Nov/2009.

Veja, não diga que ESTA AULA está perdida.
Tenha fé em Deus, E NA TIA MARINA.
NADE outra vez.
NADE (NADE), pois a água HOJE NEM TÁ TÃO FRIA (NADE outra vez)
Você tem dois pés para NADAR O CRAWL.
NADE OUTRA VEZ, SIM, SIM, SIM, oh, oh, oh, oh!
NADE, GIRE O BRAÇO BEM FORTE OU COMECE A BOIAR.
AFUNDE A CABEÇA NA ÁGUA PARA RESPIRAR.
SIM, SIM, SIM, SIM, SIM, SIM
UM PÉ DE PALHAÇO, UMA PERNADA FORTE,
UM BRAÇO que gira (gira) NADANDO NO MAR.
Queira (queira), basta TER CORAGEM E NADAR “pro fundo”.
Você VAI CHEGAR LÁ JUNTO COM TODO mundo.
Vai, tente outra vez.
Tente, (tente) SE INSPIRE NA "VITÓRIA" SUA AMIGA
Se é de batalhas que se vive a vida, tente outra vez.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

NATAÇÃO NO MAR

Pois bem, depois de tanto tempo, não posso mais adiar. Izabel, desculpe a demora, é que eu sou "meio" preguiçoso mesmo. Finalmente vou escrever um pouco sobre como a minha história e a história da Natação no Mar em Rio das Ostras se encontram.

No ano de 2002 (eu acho!) coloquei meus filhos na escolinha de surf do Neves Surf Club, com o José Carlos, o Lee (pai e irmão do Léo Neves) e com a Marina (a nossa Tia Marina da Natação no Mar). Nessa época nós morávamos em Aquários, no Distrito de Tamoios, Cabo Frio, na Rua do Hospital de Tamoios, bem de frente pro mar. E de vez em quando, eu me atrevia a levar as crianças para pegar umas marolinhas. Levava um de cada vez no "fundinho" onde eu desse pé, esperava uma onda e empurrava para que eles remassem até a praia. Numa dessas, quando a minha filha saiu remando eu tentei sair também e não consegui. Falei pra eles ficarem na areia e não entrarem mais, mas eu NÃO CONSEGUI VOLTAR, caí numa vala.

Não sei ao certo quanto tempo se passou, mas foram os minutos mais longos e mais difíceis da minha vida. Enquanto eu tentava me manter flutuando, olhava minha casa ficando cada vez menor, e via meus filhos correndo para um lado para outro sem saber o que fazer. Sofri. Enquanto ia me afastando, meus olhos buscavam uma possibilidade de socorro. Não havia. A praia estava vazia. Uma senhora sentada em sua cadeira de praia próxima às crianças não teve presença de espírito sequer para socorrer meus filhos aflitos e assustados. Não havia guarda-vidas, surfistas, banhistas, nada, ninguém, somente duas crianças prestes a ficar órfãs.

Cansei. Tive medo. Tive certeza que meus dias haviam chegado ao fim. Sofria pela possibilidade de proporcionar essa triste experiência aos meus filhos. Por certo carregariam para sempre a culpa de não terem conseguido salvar o pai da morte por afogamento.

Enquanto meu corpo se entregava ao cansaço, entre uma onda outra, bebia muita água. Rezei. Me conformei, mas ainda assim tentei um último apelo. _ Deus, por favor, se está na minha hora, tudo bem, eu aceito, mas eu não gostaria que fosse dessa forma. _ Iemanjá, por favor não me leve ainda. Pedi, mas no fundo não acreditei muito. A minha razão atestava que o socorro era impossível. Veio uma forte onda e bateu na minha cabeça. Afundei. Bebi mais água. Pensei, agora mesmo é que não vou conseguir aguentar mais tempo. Outra onda. Outro tapa na minha cabeça.

Toquei o fundo, senti meus pés na areia. Parecia impossível. Houve uma ponta de esperança, mas a praia ainda estava tão longe, tão longe. E minhas pernas já não me obedeciam, não conseguiam sustentar meu corpo de pé. As ondas é que me empurravam de volta para a praia, para casa, para meus filhos, para minha mulher, para minha vida. Minha filha finalmente decidiu entrar em casa e falar com a mãe. Quando minha esposa chegou à praia não entendeu bem o que estava acontecendo e começou a "brigar" comigo, dizendo coisas que eu nem entendia. Eu apenas gritava quase sem voz em reposta: _ Eu estou morrendo p...!

Me recusei a ir para o hospital. Fui levado para casa com ajuda de uns meninos que apareceram na hora. Depois de um chuveiro quente, alguns minutos (talvez uma ou duas horas) de sono, vomitei muita água verde. Levantei, olhei para minha casa, meu fuscão azul na garagem, meus filhos, minha esposa, e chorei. Pensei que a esta hora eu não estaria mais ali.

Cerca de cinco anos depois, não me lembro como, acho que li algo no jornal sobre uma aula de natação no mar e fui até a Boca da Barra. Olhei os alunos, os professores, e desejei participar daquilo. Timidamente perguntei como fazer. Gentilmente, a Tia Flávia me fez algumas perguntas e me inscreveu numa lista de espera. Passado algum tempo, talvez uns seis meses ou mais, recebi uma ligação me perguntando se ainda estaria interessado em fazer as aulas de natação no mar. _Claro! Respondi. Nem me lembrava mais que estava na lista de espera.

E assim começou o processo do meu resgate, do meu salvamento. As primeiras aulas foram muito difíceis, mas a sensibilidade e o bom humor do Tio Fabiano foram fundamentais. Aprendi a soprar o bolão com o nariz, soltar o melecão, fazer a respiração do pintinho, o mergulho da Free Wily. As aulas em forma de brincadeiras na água com os colegas iniciantes foram aos poucos me permitindo relaxar, desde que eu pudesse manter os meus pés no chão e sentir o fundo. A minha primeira prova de fogo foi no primeiro aulão do pijama. Separados os dois grupos, a Izabel perguntou quem tinha medo de ir no fundo. _Eu! Claro. Aliás, medo não. Pavor, pânico. Então ela disse que os colegas teriam a missão de me levar boiando até o barco que flutuava a uns quarenta metros de distância no máximo. Gelei! Comecei a tremer. _Não vai dar! Logo formou-se uma multidão em volta de mim. Lembro da Tia Bia me falando ao ouvido: "_Não tenha medo, eu vou cuidar de você." Depois de muito xilique, conseguiram me colocar boiando de braços abertos, mas meu corpo insistia em tremer descontroladamente. E eu chorava! Lembro de sentir as mãos da Nancy quase me furando com os dedos numa massagem de shiatsu na planta dos meus pés, e a voz da Tia Bia repetindo: "_Não tenha medo, eu vou cuidar de você." É lógico que eu não consegui chegar até o barco. Me levaram de volta para a praia e eu chorei. Chorei muito! Todos me abraçavam e me confortavam. Pela primeira vez eu me senti sendo resgatado, salvo enfim! Cinco anos depois os meus salvadores chegaram! Foi uma experiência muito intensa. Por mais que eu tente, as palavras nunca vão conseguir expressar a grande emoção que senti. Uma emoção confusa, um misto de medo e de alívio. O meu salvamento começou com a inscrição do meu nome na lista de espera, e foi acontecendo, na primeira aula, no aulão do pijama, na primeira vez que atravessei a pedra, nadando, tremendo e chorando, mesmo com dois padrinhos, no primeiro Festival de Travessias que participei, novamente nadando, tremendo e chorando, com dois padrinhos, e ganhei até medalha. No meu processo de salvamento aprendi a dançar a melô do síndico, "TIM MAIA!", aprendi que "ao meu lado há um amigo que eu preciso proteger" e que "juntos somos fortes, somos fortes, somos fortes!". Aprendi que ter medo faz parte da vida, assim como morrer, até mesmo morrer afogado, e quem sabe, como diz Dorival Caymmi, seja realmente doce morrer no mar. Mas que o importante mesmo é VIVER, e viver bem é fazer amigos, é superar o medo, superar as limitações, é acreditar que é possível, é dividir para poder somar.

Esta postagem ficou enorme! E eu nem consegui dizer tudo o que há para ser dito. Mas fica aqui o registro público da minha enorme GRATIDÃO a todos que fazem parte da NATAÇÃO NO MAR, especialmente a IZABEL THOMAS, por continuar acreditando em mim e mantendo as portas abertas mesmo quando sou eu quem as fecha. A cada professor com quem tive a oportunidade de aprender um pouco mais, tio FABIANO, tio BRENO, tia FLÁVIA, tia PAULA, tio FELIPE, e atual tia MARINA, o meu MUITO OBRIGADO!!! Do fundo do coração. A toda equipe, professores auxiliares, secretária, guarda-vidas e aos meus colegas alunos e atletas da NATAÇÃO NO MAR, PARABÉNS!!! O trabalho de vocês salvou a minha vida.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Começando

Quem sair na chuva certamente irá se molhar, ainda que use capa de chuva, galocha e guarda-chuva (será que ainda tem hífen?), ficará molhado, pelo menos um pouquinho.

E o que isso tem a ver com a postagem abaixo?

Na verdade nada.

Mas, eu me propus criar um blog. Pra que? Por que?

Eu visitei os blogs dos meus filho (vide blogs que eu sigo) e descobri que eles sabem escrever, e escrevem com naturalidade. Falam dos sentimentos. E pensam. Caramba! Na verdade não estou tão surpreso assim. Sou presunçoso e orgulhoso o suficiente para achar que eles são no mínimo melhores do que eu, e ainda pensar que sou responsável por isso, mesmo sabendo que não sou. Eles são indíviduos, são eles próprios, são únicos. Mas afinal de contas são meus filhos. Eis o porque. Não quero ficar pra trás.

Bem, pra que? Para escrever. Escrever é muito fácil. Escrever é muito difícil. Mas como o nome que eu escolhi pra este blog diz, já estou numa idade (e todo mundo está em alguma idade, lógico!) que no meu caso é AMENA, já passei pelas crises de identidade, de falta de identidade, enfim a mente já está um pouco mais serena. Por outro lado é INSANA, pois já consigo coragem para fazer coisas que algumas pessoas diriam ser loucura, e é INSANA, porque não é SANA(Gosto muito do SANA), porque a saúde já vai se tornando frágil, os vinte e poucos anos (Viva Fábio Jr.) já vão longe.

Então, vamos começar, e nada melhor do que começar do início. O artigo CIDADANIA e FISCALIZAÇÃO (abaixo) foi meu primeiro atrevimento na arte de escrever alguma coisa, algo que se parece com um artigo, meio panfletário. Foi publicado no Jornal RAZÃO de Rio das Ostras do dia 15 de outubro de 2009. Dois dias depois eu já não era mais o Chefe da Divisão de Fiscalização de Obras e Posturas. Previsível e esperado, em ambos os sentidos.


CIDADANIA E FISCALIZAÇÃO


Desde que nos pusemos a caminhar eretos e abandonamos o escuro das cavernas estamos tentando encontrar soluções para os conflitos inevitáveis, frutos da inexorável convivência social. E as encontramos, parcialmente, soluções limitadas no tempo e no espaço, próprias para cada povo e cada época. Se por um lado a civilização é sinal de progresso, é também nela que percebemos o caos e a desordem.
É evidente que se tivéssemos alcançado o nível pleno de nosso potencial de perfectibilidade, já teríamos dominado a arte de nos conduzir com ética e responsabilidade, tornando dispensável toda e qualquer forma de controle social. Mas cá estamos nós! Ainda engatinhando nas lições do aprendizado social, moral e espiritual, quando paradoxalmente já somos capazes de alçar voos estratosféricos através de magníficas conquistas nos campos da ciência e tecnologia.
E na luta inglória de tentar equilibrar os interesses individuais e coletivos ainda necessitamos, a bem de nós mesmos, utilizar medidas coercitivas (males necessários) que mantenham, ainda que de forma tênue, a frágil estabilidade do contrato social. Dentre esses males necessários, está a atividade de FISCALIZAÇÃO, decorrente do poder de polícia do Leviatã moderno, social e democrata, mas não menos voraz.
Fiscalizar é necessário, diria mais, é fundamental. Principalmente num município que até bem pouco tempo era uma vila de pescadores, terceiro distrito de uma cidade do interior, e agora, município capa de revista, é o novo El Dourado dos tempos modernos, com uma população aumentando numa velocidade alarmante, já somando perto de cem mil (100.000) habitantes e contabilizando todos os números e estatísticas decorrentes desse crescimento descontrolado.
O município conta hoje com um reduzido quadro de aproximadamente cinquenta (50) fiscais mal aparelhados e sem infraestrutura adequada, dos quais sessenta por cento (60%) na vigilância sanitária e os demais divididos entre meio ambiente, tributos, transportes, obras e posturas. Uma equipe de fiscalização para funcionar bem precisa ser estimulada de forma adequada através de capacitação, oferta de condições de trabalho e de remuneração compatível. O servidor fiscal precisa sentir-se seguro para exercer sua atividade com a autonomia que a função lhe exige. Em tempos de crise, e sempre é tempo de crise, a retirada de conquistas adquiridas e o consequente achatamento de salários não pode e não deve ser encarada como uma solução. Se é necessário cortar gastos por causa da tal crise, que se corte onde verdadeiramente está a gordura e não onde já está somente pele e osso.
Em tempos de crise o melhor é fiscalizar. Fiscalizar evita desperdício do dinheiro público. Fiscalizar melhora a arrecadação combatendo a sonegação de tributos. Fiscalizar evita o crescimento desordenado, as invasões e obras clandestinas. Fiscalizar evita a ocupação irregular de áreas públicas. Fiscalizar evita degradação ambiental. Fiscalizar inibe a prática de atividades comerciais e industriais lesivas à saúde da população. Fiscalizar melhora a segurança pública. Fiscalizar é essencial para evitar que o município seja assolado e solapado por pessoas inescrupulosas que só visam interesse pessoal e não tem nenhum compromisso com a cidade. Fiscalizar EVITA, e evitar é sempre mais barato do que consertar, corrigir, desfazer. Fiscalizar protege acima de tudo os interesses da sociedade.
O cidadão consciente não reclama da fiscalização, ao contrário, fica satisfeito em saber que ela existe e que funciona. E se não funciona, ou quando não funciona, ele reclama e exige do poder público que cumpra com o seu dever de manter uma fiscalização forte, ativa e eficiente.
Um município com uma fiscalização fraca é um município entregue ao caos e ao descontrole. Se queremos um lugar melhor para viver e criar nossos filhos, temos que lutar por políticas que assegurem um crescimento sustentável e tolerável para nossa cidade e exigir que sejam priorizadas as políticas de controle e fiscalização, garantindo a autonomia e independência dos fiscais, servidores concursados e comprometidos com a ética e com a legalidade.