sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Repúdio
"Queremos aproveitar o espaço do Portal Humano Mar para publicizar o texto de repúdio à nota publicada pela colunista Jussara Leite no Jornal O Debate, periódico de grande circulação em Rio das Ostras, cujo conteúdo discriminatório e preconceituoso referente ao trato à população em situação de rua, abalou as opiniões e está mobilizando um grupo de pessoas, entre professores, estudantes e profissionais de diversas áreas, que pretendem responder à sociedade através de ações que questionem o papel da imprensa local como veículo formador de opinião.Dentre estas ações, a primeira é a tentativa de ver publicado no referido jornal o texto em resposta à nota, construído coletivamente e que pode ser assinado por todos que compartilharem da opinião. Basta enviar seus dados (nome completo, profissão/vínculo institucional/ município) para tatipontocom@hotmail.com."
Segue abaixo a referida nota e, na seqüência, o texto de repúdio:
NOTA:“INCIDENTE GRAVE: Só grave não! Gravíssimo. O assassinato do morador de rua foi horrível! Eu não os quero aqui, mas daí a querer a morte dos coitados, ainda mais da maneira que foi. Credo! Já era de se esperar que mais dia menos dia fosse acontecer, pois eles se alimentam de álcool, ficam juntos a maior parte do tempo, já estavam mantendo relações sexuais na areias da praia do Centro porque já era visto e notório a presença de mendigas também. Enfim, os locais por eles freqüentados estavam insuportáveis não só pelo aspecto dos mesmos, como pelo mal cheiro e pelos abusos que os transeuntes eram obrigados a aturar. Por hora eles sumiram, mas se nada for feito para impedir o regresso, logos eles estarão de volta. Não permitam que isso aconteça! Aproveitem a oportunidade do sumiço! Tem muita cidade e lugarejos para eles irem baixar o santo deles fora de Rio das Ostras. Esta cidade é limpa e tem que permanecer assim! O que me preocupa são os cachorros que os acompanhavam. O que será feito deles? Ah, as ciganas já chegaram pegajosas nos segurando pelo braço com toda a intimidade. Realmente não dá pra ser feliz desse jeito! São mendigos, são ciganos, travestis dazendo vida, traficantes, ladrões e assaltantes, tarados, realmente a coisa está ficando difícil. A coisa está feia!” (Jussara Leite)

TEXTO-REPÚDIO:PÚBLICO & PRIVADO: Opinião, violência e discriminação.As relações sociais contemporâneas têm sido marcadas por várias manifestações de violência. Intolerância, preconceito e discriminação estão presentes nas várias esferas da vida em sociedade: no futebol, nas relações de trabalho, nas universidades, nos diferentes espaços públicos e privados. Parte dessa violência tem sido alimentada pela visão distorcida e preconceituosa de que a sociedade é dividida entre cidadãos de bem e a escória. A escória pode ser representada pelo torcedor do time adversário, pelas pessoas em situação de rua, pelos profissionais do sexo, pelos pobres, pelos negros, pelos desempregados, pelos homossexuais, pelos usuários de drogas ou qualquer outro segmento social que represente uma “ameaça” a “harmonia e a paz social”. Os que se consideram cidadãos de bem se sentem autorizados a manifestar suas opiniões odiosas contra os diferentes segmentos sociais, exigindo solução, em muitos casos eliminação, para tudo o que avaliam repugnante aos olhos de um grupo que se concebe como uma casta superior com autoridade para falar em nome da “sociedade” e dos “direitos”.
A nota publicada por Jussara Leite na edição do Jornal O Debate de 04 a 10 de dezembro de 2009 é emblemática neste sentido. Lamentavelmente a opinião manifestada nesta nota não expressa apenas uma opinião particular, mas a de muitos que “assistem” a vida pelas lentes do preconceito e do privilégio. Toda opinião pública – assim a consideramos por ter sido veiculada em um jornal local – é legítima se as referências e os valores que defende se colocam nos limites da democracia e dos direitos humanos. No entanto, o modo como a tragédia envolvendo a morte de uma pessoa em situação de rua foi abordada por Jussara Leite e suas opiniões sobre a oportunidade aberta para “nos livrarmos dessas pessoas”, seu sentimento de solidariedade exclusiva aos cães que acompanhavam essas pessoas, sua clara fobia às condições de higiene e ao comportamento das pessoas em situação de rua, seu moralismo dirigido aos profissionais do sexo, merecem questionamento e repúdio.
Primeiro por ignorar que as pessoas que vivem em situação de rua representam uma incapacidade de nossa sociedade de oferecer políticas sociais públicas capazes de assegurar o sistema, universal, de Seguridade Social, inscrito em nossa Constituição Federal. Segundo porque concebe o espaço público como espaço privado, considerando que pode, em nome dos cidadãos de bem, definir quem merece ou pode transitar e se apropriar dele, ignorando princípios Constitucionais como o direito de ir e vir e a validade da cidadania em todo território nacional. Terceiro porque sua avaliação sobre as situações apresentadas - que envolvem pessoas em situação de rua, profissionais do sexo e ciganos – e seu apelo por soluções imediatas e autoritárias (higienização), ao desconsiderar as reais determinações sociais que contribuem para essas manifestações das desigualdades sociais e do abandono por parte do poder público, contribuem para alimentar e legitimar práticas de extermínio cada vez mais consolidadas em nossa sociedade autoritária e conservadora, como assassinatos de moradores de rua, de profissionais do sexo, de homossexuais, de jovens pobres da periferia, como confirma a ação das milícias no Rio de Janeiro, da polícia e de vários grupos de extermínio em todo território nacional.
Do mesmo modo que tais avaliações reforçam a ideia enganosa de que a ameaça, a violência, a miséria ou o abandono das ruas são atributos ou situações vivenciadas apenas pelos “de fora”, pelos “estrangeiros”, obscurecendo o fato de que os impactos sociais do modelo de “crescimento e desenvolvimento” adotado pelo município colocam os próprios rio ostrenses em situação de vulnerabilidade social. Não é a presença de pessoas em situação de rua, de profissionais do sexo, de ciganos que impedem nossa felicidade e a possibilidade de vivermos numa cidade limpa e segura, mas o moralismo e o preconceito odiosos que espiam das janelas protegidas por grades e só tem olhos para os diferentes, para os que não tem voz e poder econômico e político, atribuindo-lhes individualmente responsabilidade por situações geradas socialmente. O mesmo moralismo e preoconceito odiosos que fecham suas janelas gradeadas e não querem ver a violência do desemprego, da corrupção, do coronelismo, do clientelismo, do abandono por parte do poder público nas áreas de sua responsabilidade (Saúde, Educação, Assistência, Emprego, Moradia, Saneamento Básico).
A cidadania e a democracia exigem, não a eliminação das pessoas, mas a eliminação de todas as formas de violência (como as citadas acima), inclusive a violência do preconceito e da discriminação, que molda uma “opinião pública” conivente com o extermínio daqueles que são considerados a "escória social".
por Tati Tavares em 09.12.2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
IV FESTIVAL DE TRAVESSIAS DA NATAÇÃO NO MAR - 20/11/2009
Fiz estas duas paródias que falam um pouco da nossa realidade no dia-a-dia de Natação no Mar como forma de homenagear a TODOS que integram essa maravilhosa e competente equipe de profissionais.
Por certo todos os alunos que tiveram que passar ou estão passando pela experiência de superar seus medos já viveram momentos como estes com o(a) seu(sua) respectivo(a) "TIO" ou "TIA".
No meu caso particular faço a homenagem a TODOS na pessoa da Tia Marina.
E com certeza todos os nossos professores de alguma forma respondem as nossas "manhas" com a resposta TENTE OUTRA VEZ.
Marina (Dorival Caymmi)
PARÓDIA DE VALCIR GONÇALVES
NATAÇÃO NO MAR, Rio das Ostras, Nov/2009.
Marina, morena
Marina, você M'ENGANOU
marina, você FOI PRO FUNDO AONDE EU NÃO VOU
NÃO ENTRO “NEM MORTA” eu NÃO gosto
LÁ EU NÃO VOU
marina você É TÃO MALVADA O QUE É QUE TE DEU?
me APAVOREI ME ASSUSTEI
Já não posso NADAR
E quando me ASSUSTO Marina não sei RESPIRAR
Eu já ME AFOGUEI tantaS VEZES
Você não PODE IMAGINAR
Desculpe, Marina morena
EU NÃO VOU NADAR
NADAR com você
NADAR com você
TENTE OUTRA VEZ (Raul Seixas)
PARÓDIA DE VALCIR GONÇALVES
NATAÇÃO NO MAR, Rio das Ostras, Nov/2009.
Veja, não diga que ESTA AULA está perdida.
Tenha fé em Deus, E NA TIA MARINA.
NADE outra vez.
NADE (NADE), pois a água HOJE NEM TÁ TÃO FRIA (NADE outra vez)
Você tem dois pés para NADAR O CRAWL.
NADE OUTRA VEZ, SIM, SIM, SIM, oh, oh, oh, oh!
NADE, GIRE O BRAÇO BEM FORTE OU COMECE A BOIAR.
AFUNDE A CABEÇA NA ÁGUA PARA RESPIRAR.
SIM, SIM, SIM, SIM, SIM, SIM
UM PÉ DE PALHAÇO, UMA PERNADA FORTE,
UM BRAÇO que gira (gira) NADANDO NO MAR.
Queira (queira), basta TER CORAGEM E NADAR “pro fundo”.
Você VAI CHEGAR LÁ JUNTO COM TODO mundo.
Vai, tente outra vez.
Tente, (tente) SE INSPIRE NA "VITÓRIA" SUA AMIGA
Se é de batalhas que se vive a vida, tente outra vez.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
NATAÇÃO NO MAR
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Começando
É evidente que se tivéssemos alcançado o nível pleno de nosso potencial de perfectibilidade, já teríamos dominado a arte de nos conduzir com ética e responsabilidade, tornando dispensável toda e qualquer forma de controle social. Mas cá estamos nós! Ainda engatinhando nas lições do aprendizado social, moral e espiritual, quando paradoxalmente já somos capazes de alçar voos estratosféricos através de magníficas conquistas nos campos da ciência e tecnologia.
E na luta inglória de tentar equilibrar os interesses individuais e coletivos ainda necessitamos, a bem de nós mesmos, utilizar medidas coercitivas (males necessários) que mantenham, ainda que de forma tênue, a frágil estabilidade do contrato social. Dentre esses males necessários, está a atividade de FISCALIZAÇÃO, decorrente do poder de polícia do Leviatã moderno, social e democrata, mas não menos voraz.
Fiscalizar é necessário, diria mais, é fundamental. Principalmente num município que até bem pouco tempo era uma vila de pescadores, terceiro distrito de uma cidade do interior, e agora, município capa de revista, é o novo El Dourado dos tempos modernos, com uma população aumentando numa velocidade alarmante, já somando perto de cem mil (100.000) habitantes e contabilizando todos os números e estatísticas decorrentes desse crescimento descontrolado.
O município conta hoje com um reduzido quadro de aproximadamente cinquenta (50) fiscais mal aparelhados e sem infraestrutura adequada, dos quais sessenta por cento (60%) na vigilância sanitária e os demais divididos entre meio ambiente, tributos, transportes, obras e posturas. Uma equipe de fiscalização para funcionar bem precisa ser estimulada de forma adequada através de capacitação, oferta de condições de trabalho e de remuneração compatível. O servidor fiscal precisa sentir-se seguro para exercer sua atividade com a autonomia que a função lhe exige. Em tempos de crise, e sempre é tempo de crise, a retirada de conquistas adquiridas e o consequente achatamento de salários não pode e não deve ser encarada como uma solução. Se é necessário cortar gastos por causa da tal crise, que se corte onde verdadeiramente está a gordura e não onde já está somente pele e osso.
Em tempos de crise o melhor é fiscalizar. Fiscalizar evita desperdício do dinheiro público. Fiscalizar melhora a arrecadação combatendo a sonegação de tributos. Fiscalizar evita o crescimento desordenado, as invasões e obras clandestinas. Fiscalizar evita a ocupação irregular de áreas públicas. Fiscalizar evita degradação ambiental. Fiscalizar inibe a prática de atividades comerciais e industriais lesivas à saúde da população. Fiscalizar melhora a segurança pública. Fiscalizar é essencial para evitar que o município seja assolado e solapado por pessoas inescrupulosas que só visam interesse pessoal e não tem nenhum compromisso com a cidade. Fiscalizar EVITA, e evitar é sempre mais barato do que consertar, corrigir, desfazer. Fiscalizar protege acima de tudo os interesses da sociedade.
O cidadão consciente não reclama da fiscalização, ao contrário, fica satisfeito em saber que ela existe e que funciona. E se não funciona, ou quando não funciona, ele reclama e exige do poder público que cumpra com o seu dever de manter uma fiscalização forte, ativa e eficiente.
Um município com uma fiscalização fraca é um município entregue ao caos e ao descontrole. Se queremos um lugar melhor para viver e criar nossos filhos, temos que lutar por políticas que assegurem um crescimento sustentável e tolerável para nossa cidade e exigir que sejam priorizadas as políticas de controle e fiscalização, garantindo a autonomia e independência dos fiscais, servidores concursados e comprometidos com a ética e com a legalidade.
